domingo, 16 de outubro de 2011

O Espírito Santo (Estudo 1) - O Evangelho Segundo Lucas - cap. 4 - vers. 15 (Programa dos dias 16 e 19 de outubro de 2011)

MINISTÉRIO DE JESUS NA GALILEIA

JESUS INAUGURA SEU MINISTÉRIO

Lc 4:15 - Jesus voltou então para a Galileia, com a força do Espírito, e Sua fama espalhou-se por toda a região circunvizinha.

Temática:  O Espírito Santo (estudo 1)

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ð BÍBLIA. Português. Bíblia de Jerusalém. Nova edição rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2002. 3 a. Impressão: 2004. O Evangelho Segundo Lucas 4:14-30 p. 1794-1795

Jesus inaugura sua pregação

14Jesus voltou então para a Galiléia, com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a região circunvizinha. 15Ensinava em suas sinagogas e era glorificado por todos.
Jesus em Nazaré
16Ele foi a Nazara, onde fora criado, e, segundo seu costume, entrou em dia de sábado na sinagoga e levantou-se para fazer a leitura. 17Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías; abrindo-o, encontrou o lugar onde está escrito: 18O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou pela unção para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e aos cegos a recuperação da vista, para restituir a liberdade aos oprimidos 19e para proclamar um ano de graça do Senhor. 20Enrolou o livro, entregou-o ao servente e sentou-se. Todos na sinagoga olhavam-no, atentos. 21Então começou a dizer-lhes: "Hoje se cumpriu aos vossos ouvidos essa passagem da Escritura". 22Todos testemunhavam a seu respeito, e admiravam-se das palavras cheias de graça que saíam de sua boca. E diziam: "Não é o filho de José?" 23Ele, porém, disse: "Certamente me citareis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum, faze-o também aqui em tua pátria". 24Mas em seguida acrescentou: "Em verdade vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25De fato, eu vos digo que havia em Israel muitas viúvas nos dias de Elias, quando por três anos e seis meses o céu permaneceu fechado e uma grande fome devastou toda a região; 26Elias, no entanto, não foi enviado a nenhuma delas, exceto a uma viúva, em Sarepta, na região de Sidônia. 27Havia igualmente muitos leprosos em Israel no tempo do profeta Eliseu; todavia, nenhum deles foi purificado, a não ser o sírio Naamã". 28Diante dessas palavras, todos na sinagoga se enfureceram. 29E, levantando-se, expulsaram-no para fora da cidade e o conduziram até um cimo da colina sobre a qual a cidade estava construída, com a intenção de precipitá-lo de lá. 30Ele, porém, passando pelo meio deles, prosseguia seu caminho...
ð Fundamentação
III. NOTÍCIAS HISTÓRICAS
“Para compreender melhor algumas passagens dos Evangelhos, é necessário conhecer o valor de certas palavras, que neles são empregadas frequentemente e que caracterizam a situação da sociedade judaica e dos costumes naquela época.
Essas palavras, não tendo mais, para nós, o mesmo sentido, muitas vezes foram mal interpretadas e, por isso mesmo, criaram muitas dúvidas. A compreensão do seu significado explica, além disso, o verdadeiro sentido de certas máximas que, à primeira vista, parecem estranhas.”
Kardec, Allan. O Evangelho Segundo O Espiritismo. Introdução, item III.
ð Importância de estudar o tema
“O Espírito Santo", e suas sinonímias, são mencionados em todos os livros do NT, exceto Epístolas II e III João.
Origens das Visões Teológicas

# Concílio de Niceia – 325 EC – convocado pelo imperador romano Constantino – Tolerância ao cristianismo em todos os territórios romanos
Deus Único, mas ao mesmo tempo, em unidade com o Filho.

# Concílio de Constantinopla – 381 EC - convocado pelo imperador Teodósio – considerou como heresias todas as ideias contrárias ao credo de Niceia.
O Espírito Santo colocado no mesmo patamar de Deus e do Filho, eterno como o Pai. Origem do dogma da SANTÍSSIMA TRINDADE.
ð A Doutrina Espírita não possui dogmas. O dogma da "Santíssima Trindade" é refutado pelo entendimento dos atributos de Deus, conforme encontraremos em O LIVRO DOS ESPÍRITOS:
O LIVRO DOS ESPÍRITOS – Allan Kardec (Tradução J Herculano Pires)
Parte I –Das Causas Primeiras
Capítulo I - Deus
10. O homem pode compreender a natureza íntima de Deus?
— Não. Falta-lhe, para tanto, um sentido.
11. Será um dia permitido ao homem compreender o mistério da Divindade?
— Quando o seu espírito não estiver mais obscurecido pela matéria e, pela sua perfeição, tiver se aproximado dela, então a verá e compreenderá.
Explicação de Kardec: A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza intima de Deus. Na infância da Humanidade, o homem o confunde muitas vezes com a criatura, cujas imperfeições lhe atribui; mas, á medida que o seu senso moral se desenvolve, seu pensamento penetra melhor o fundo das coisas e ele faz então, a seu respeito, uma idéia mais justa e mais conforme com a boa razão embora sempre incompleta.
12. Se não podemos compreender a natureza íntima de Deus, podemos ter uma idéia de algumas de suas perfeições?
— Sim, de algumas. O homem se compreende melhor, à medida que se eleva sobre a matéria; ele as entrevê pelo pensamento.
13. Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, não temos uma idéia completa de seus atributos?
— Do vosso ponto de vista, sim, porque acreditais abranger tudo, mas ficai sabendo que há coisas acima da inteligência do homem mais inteligente, e para as quais a vossa linguagem, limitada às vossas idéias e às vossas sensações, não dispõe de expressões. A razão vos diz que Deus deve ter essas perfeições em grau supremo, pois, se tivesse uma de menos, ou que não fosse em grau infinito, não seria superior a tudo, e, por conseguinte, não seria Deus. Para estar acima de todas as coisas, Deus não deve estar sujeito a vicissitudes e não pode ter nenhuma das imperfeições que a imaginação é capaz de conceber.
Explicação de Kardec: Deus é ETERNO. Se ele tivesse tido um começo, teria saído do nada. ou. então, teria sido criado por um ser anterior. É assim que, pouco a pouco, remontamos ao infinito e à eternidade.
É IMUTÁVEL. Se ele estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o Universo não teriam nenhuma estabilidade.
É IMATERIAL. Quer dizer, sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria, pois de outra forma ele não seria imutável, estando sujeito às transformações da matéria.
É ÚNICO. Se houvesse muitos Deuses, não haveria unidade de vistas nem de poder na organização do Universo.
É TODO-PODEROSO. Porque é único. Se não tivesse o poder soberano, haveria alguma coisa mais poderosa ou tão poderosa quanto ele, que assim não teria feito todas as coisas. E aquelas que ele não tivesse feito seriam obras de um outro Deus.
É SOBERANAMENTE JUSTO E BOM. A sabedoria providencial das leis divinas se revela nas menores como nas maiores coisas, e esta sabedoria não nos permite duvidar da sua justiça, nem da sua bondade.

sábado, 8 de outubro de 2011

O Evangelho Segundo Lucas - cap. 4 - vers. 14 (Programa dos dias 09 e 12 de outubro de 2011)

MINISTÉRIO DE JESUS NA GALILEIA

JESUS INAUGURA SEU MINISTÉRIO

Lc 4:14 - Jesus voltou então para a Galileia, com a força do Espírito, e Sua fama espalhou-se por toda a região circunvizinha.

Temática: a mais poderosa ferramenta da educação utilizada por Jesus

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O Evangelho Segundo Lucas - cap. 4 - vers. 14 (Programa dos dias 09 e 12 de outubro de 2011)

MINISTÉRIO DE JESUS NA GALILEIA

JESUS INAUGURA SEU MINISTÉRIO

Lc 4:14 - Jesus voltou então para a Galileia, com a força do Espírito, e Sua fama espalhou-se por toda a região circunvizinha.

Temática: a mais poderosa ferramenta da educação utilizada por Jesus

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domingo, 2 de outubro de 2011

O Evangelho Segundo Lucas - cap. 4 - vers. 14 (Programa dos dias 02 e 05 de outubro de 2011)

MINISTÉRIO DE JESUS NA GALILEIA

JESUS INAUGURA SEU MINISTÉRIO

Lc 4:14 - Jesus voltou então para a Galileia, com a força do Espírito, e Sua fama espalhou-se por toda a região circunvizinha.

Tema do programa: "Algumas ferramentas que Jesus aplicara para a educação moral dos povos, última parte"



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Viagem Missionária de Jesus da Galileia para a Judeia (Clique duas vezes no mapa para ampliá-lo)


Dupla natureza de Jesus

“Poder-se-ia objetar que, em razão da dupla natureza de Jesus, suas palavras eram a expressão do seu sentimento como homem e não como Deus. Sem examinar, neste momento, através de que encadeamento de circunstâncias fomos conduzidos, bem mais tarde, à hipótese desta dupla natureza, admitamo-la por um instante, e vejamos se, ao invés de elucidar a questão ela não a complica ao ponto de torná-la insolúvel.

O que devia ser humano em Jesus, era o corpo, a parte material; deste ponto de vista compreende-se que ele tenha podido, e até tenha sofrido como homem.

O que nele devia ser divino, era a alma, o espírito, o pensamento, numa palavra, a parte espiritual do Ser. Se ele sentia e sofria como homem; devia pensar e falar como Deus. Falava como homem ou como Deus? Aí está uma questão importante, pela autoridade excepcional dos seus ensinamentos. Se falava como homem, suas palavras são contestáveis; se falava como Deus, são indiscutíveis; é preciso aceita-las e a elas nos conformar, sob pena de deserção e de heresia; o mais ortodoxo será aquele que mais se aproximar delas.

Dir-se-á que, sob seu envoltório corporal, Jesus não tinha consciência de sua natureza divina? Mas, se fosse assim, ele não teria nem mesmo pensado como Deus, sua natureza divina existiria em estado latente; só a natureza humana teria presidido à sua missão, aos seus atos morais como aos seus atos materiais. É, portanto, impossível abstrair-se de sua natureza divina, durante sua vida, sem enfraquecer sua autoridade.

Mas, se ele falou como Deus, por que este incessante protesto contra sua natureza divina, que neste caso, ele não podia ignorar? Ele teria, portanto, se enganado, o que seria pouco divino, ou ele teria conscientemente enganado o mundo, o que o seria menos ainda.

Parece-nos difícil sair deste dilema.

Se se admite que ele falou tanto como homem, quanto como Deus, a questão se complica, pela impossibilidade de se distinguir o que vinha do homem e o que vinha de Deus.

Se fosse o caso em que ele tivesse tido motivos para dissimular sua verdadeira natureza durante sua missão, o meio mais simples seria o de não falar dela, ou de se exprimir como o fez em outras circunstâncias, de uma maneira vaga e parabólica, sobre os pontos, cujo conhecimento estava reservado ao futuro, ora, não é aqui o caso, já que estas palavras não têm nenhuma ambiguidade.

Enfim, se apesar de todas estas considerações, ainda se pudesse supor que, enquanto vivo, ele tivesse ignorado sua verdadeira natureza, esta opinião não é mais admissível, após sua ressurreição; pois, quando ele aparece aos seus discípulos, não é mais o homem que fala, é o espírito desprendido da matéria, que deve ter recobrado a plenitude de suas faculdades espirituais e a consciência de seu estado normal, de sua identificação com a divindade; e, entretanto, foi então que ele disse: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus!

A subordinação de Jesus é ainda indicada pela sua qualidade de mediador que implica a existência de uma pessoa distinta; é ele que intercede junto a seu Pai; que se oferece em sacrifício para redimir os pecadores; ora, se ele próprio é Deus, ou se é igual a ele em todas as coisas, não tem necessidade de interceder, pois não se intercede junto a si mesmo.”

KARDEC, Allan. Dupla Natureza de Jesus. Obras Póstumas. Tradução de Maria Lucia Alcantara de Carvalho. 1a ed. Rio de Janeiro: CELD, 2002. p.206-209

O Evangelho Segundo Lucas - cap. 4 - vers. 14 (Programa dos dias 02 e 05 de outubro de 2011)

MINISTÉRIO DE JESUS NA GALILEIA

JESUS INAUGURA SEU MINISTÉRIO

Lc 4:14 - Jesus voltou então para a Galileia, com a força do Espírito, e Sua fama espalhou-se por toda a região circunvizinha.

Tema do programa: "Algumas ferramentas que Jesus aplicara para a educação moral dos povos, última parte"



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Viagem Missionária de Jesus da Galileia para a Judeia (Clique duas vezes no mapa para ampliá-lo)


Dupla natureza de Jesus

“Poder-se-ia objetar que, em razão da dupla natureza de Jesus, suas palavras eram a expressão do seu sentimento como homem e não como Deus. Sem examinar, neste momento, através de que encadeamento de circunstâncias fomos conduzidos, bem mais tarde, à hipótese desta dupla natureza, admitamo-la por um instante, e vejamos se, ao invés de elucidar a questão ela não a complica ao ponto de torná-la insolúvel.

O que devia ser humano em Jesus, era o corpo, a parte material; deste ponto de vista compreende-se que ele tenha podido, e até tenha sofrido como homem.

O que nele devia ser divino, era a alma, o espírito, o pensamento, numa palavra, a parte espiritual do Ser. Se ele sentia e sofria como homem; devia pensar e falar como Deus. Falava como homem ou como Deus? Aí está uma questão importante, pela autoridade excepcional dos seus ensinamentos. Se falava como homem, suas palavras são contestáveis; se falava como Deus, são indiscutíveis; é preciso aceita-las e a elas nos conformar, sob pena de deserção e de heresia; o mais ortodoxo será aquele que mais se aproximar delas.

Dir-se-á que, sob seu envoltório corporal, Jesus não tinha consciência de sua natureza divina? Mas, se fosse assim, ele não teria nem mesmo pensado como Deus, sua natureza divina existiria em estado latente; só a natureza humana teria presidido à sua missão, aos seus atos morais como aos seus atos materiais. É, portanto, impossível abstrair-se de sua natureza divina, durante sua vida, sem enfraquecer sua autoridade.

Mas, se ele falou como Deus, por que este incessante protesto contra sua natureza divina, que neste caso, ele não podia ignorar? Ele teria, portanto, se enganado, o que seria pouco divino, ou ele teria conscientemente enganado o mundo, o que o seria menos ainda.

Parece-nos difícil sair deste dilema.

Se se admite que ele falou tanto como homem, quanto como Deus, a questão se complica, pela impossibilidade de se distinguir o que vinha do homem e o que vinha de Deus.

Se fosse o caso em que ele tivesse tido motivos para dissimular sua verdadeira natureza durante sua missão, o meio mais simples seria o de não falar dela, ou de se exprimir como o fez em outras circunstâncias, de uma maneira vaga e parabólica, sobre os pontos, cujo conhecimento estava reservado ao futuro, ora, não é aqui o caso, já que estas palavras não têm nenhuma ambiguidade.

Enfim, se apesar de todas estas considerações, ainda se pudesse supor que, enquanto vivo, ele tivesse ignorado sua verdadeira natureza, esta opinião não é mais admissível, após sua ressurreição; pois, quando ele aparece aos seus discípulos, não é mais o homem que fala, é o espírito desprendido da matéria, que deve ter recobrado a plenitude de suas faculdades espirituais e a consciência de seu estado normal, de sua identificação com a divindade; e, entretanto, foi então que ele disse: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu Deus e vosso Deus!

A subordinação de Jesus é ainda indicada pela sua qualidade de mediador que implica a existência de uma pessoa distinta; é ele que intercede junto a seu Pai; que se oferece em sacrifício para redimir os pecadores; ora, se ele próprio é Deus, ou se é igual a ele em todas as coisas, não tem necessidade de interceder, pois não se intercede junto a si mesmo.”

KARDEC, Allan. Dupla Natureza de Jesus. Obras Póstumas. Tradução de Maria Lucia Alcantara de Carvalho. 1a ed. Rio de Janeiro: CELD, 2002. p.206-209

domingo, 25 de setembro de 2011

O Evangelho Segundo Lucas - cap. 4 - vers. 14 (Programa dos dias 25 e 28 de setembro de 2011)

MINISTÉRIO DE JESUS NA GALILEIA

JESUS INAUGURA SEU MINISTÉRIO

Lc 4:14 - Jesus voltou então para a Galileia, com a força do Espírito, e Sua fama espalhou-se por toda a região circunvizinha.

Tema do programa: "Algumas ferramentas que Jesus aplicara para a educação moral dos povos"

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Artigo: Herdeiros de Davi

Autor: Fabiano Pereira Nunes

Artigo publicado na Revista Cultura Espírita, do Instituto de Cultura Espírita do Brasil – ICEB, ano III, n. 30, setembro de 2011, p. 15.

Em conformidade com a tradição das Escrituras Sagradas, o Messias esperado pelo povo Judaico deveria provir da Casa de Davi, isto é, da linhagem ancestral do poderoso rei Davi, monarca do reino hebreu unificado entre os anos 1011/1010 e 971/970(1) AEC(2). Porquanto, O Ungido também seria alcunhado de Filho de Davi. Encontraremos no Evangelho diversas assertivas que proclamam a condição de Jesus enquanto o esperado descendente do rei Davi, através da paternidade de José da Galileia:
[...] “No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão chamado José, da casa de Davi”3 ; [...]
[...] “e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai”4; [...]
[...] “Também José subiu da cidade de Nazaré, na Galiléia, para a Judéia, na cidade de Davi, chamada Belém, por ser da casa e da família de Davi5. [...]
De igual modo, o autor do livro neotestamentário Apocalipse, atribuído por vários articulistas ao evangelista João, profetiza a autodesignação do próprio Cristo no que diz respeito a Sua descendência davídica: [...] “Eu, Jesus, enviei meu Anjo para vos atestar estas coisas a respeito das Igrejas. Eu sou o rebento da estirpe de Davi”6. [...]
Outrossim, observaremos que Paulo de Tarso, em sua Epístola aos Romanos, afirma que Jesus era descendente carnal do poderoso rei judeu: [...]“Paulo, servo de Cristo Jesus, chamado para ser apóstolo, escolhido para o evangelho de Deus, que ele já tinha prometido por meio dos seus profetas nas Sagradas Escrituras, e que diz respeito a Seu Filho, nascido da estirpe de Davi segundo a carne,”7.[...]

No entanto, a maioria dos teólogos acredita pertencer exclusivamente a Maria toda a ancestralidade biológica de Jesus, assim, sem sopesar as questões dogmáticas das diversas denominações religiosas – as quais respeitamos profundamente e sem contradita – devemos ponderar que a genética(8) ajuíza inverossímil a possibilidade de o Jesus-histórico pertencer ao gênero masculino sem a existência do par de cromossomos sexuais XY.

Isso porque dentre os 46 pares cromossômicos que compõem o genoma humano, aquele que determina o desenvolvimento dos órgãos sexuais do bebê é denominado X/Y, e é sabido que o espermatozoide pode carregar cromossomos X ou Y, contudo, o óvulo carrega exclusivamente cromossomos X, visto que a mãe só possui cromossomos XX em todas as células do seu corpo.

Quando as células do espermatozoide e do óvulo se combinam para formar o zigoto (que se desenvolverá em embrião, e futuro bebê) pode ele agregar um cromossomo X e um Y, ou então dois cromossomos X. Se o zigoto apresentar dois cromossomos X, a criança será menina (XX); se tiver um X e um Y, será menino (XY).

Por conseguinte, para o homem-Jesus ser pertencente ao gênero masculino, faz-se condição sine qua non não só possuir o par XY, como também ter sua metade cromossômica Y originária de seu pai biológico.
Não seria por razão diferente que o espiritismo – em aliança com a ciência genética - assevera não ser concebível que as Leis Naturais, Divinas e imutáveis, sejam derrogadas sob qualquer pretexto(9), portanto, a hereditariedade Davídica teria procedência, obrigatoriamente, de seu pai biológico, conforme elucida Allan Kardec em “A Gênese”:
[...] “Como homem, tinha (Jesus) a organização dos seres carnais,”10[...]
[...] “A estada de Jesus na Terra apresenta dois períodos: o que precedeu e o que se seguiu à sua morte. No primeiro período, desde o momento da concepção até o nascimento, tudo se passa, em relação à sua mãe, como nas condições normais da vida.”11
Nada obstante, mais importante que a herança ancestral de Davi, transmitida de José para Jesus, que possibilitou fosse Ele designado com o epíteto de Filho de Davi, emerge do Novo Testamento a beleza do amor paternal do carpinteiro esposo de Maria. Sua dimensão espiritual é tão grande que, em poucas linhas ao seu respeito, apreende-se a grandeza de seu devotamento, de sua fé e de sua espiritualidade.
A história do cristianismo é pródiga em heróis silenciosos e anônimos, que deram suas vidas à serviço da Causa, não obstante, a figura de José da galileia se nos destaca com inigualável sublimidade e relevância. Conquanto fosse Jesus o espírito puro que presidia toda a evolução da Terra, Humanidade deve a José a existência do cristianismo, uma vez que foram dele as responsabilidades de arrimo e sobrevivência da Criança Divina, que na condição de recém-nato comum estivera frágil e vulnerável.

Nas mãos de José, Jesus encontrara segurança e cuidados, não apenas em relação à condução de um parto sob condições adversas, mais também nos difíceis primeiros anos da vida do Menino, especialmente perigosos em virtude da perseguição cruel pelo rei Herodes Magno (37 AEC a 4 EC), e de seu sucessor Arquelau.
Porquanto, a transcendente relação pai e filho - rica em intimidade, devotamento, confiança, provisão e, sobretudo, em amor sacrificial pela família - levaram Jesus a usar da expressão Abba para ensinar ao povo sobre como invocar o Nome de Deus, plasmando no imaginário humano a amplitude do Amor Divino numa analogia com sua própria relação com José, posto que  Abba seria a expressão que as criancinhas da Galileia usavam para chamar seus pais, um nome informal, que equivaleria às expressões em português “paizinho” ou “querido pai”(12).
Boníssimo e humílimo, José é pouco lembrado pela história, malgrado, dezenove séculos depois da epopeia da manjedoura, encontraremos novas informações sobre o pai de Jesus em A Revista Espírita, dando-nos notícias de sua participação nas atividades espirituais lideradas por Allan Kardec, em caridosa ação junto aos espíritos sofredores(13), e na divulgação do Espiritismo(14).
Gratidão, honra e glória, pois, a José: herdeiro de Davi, pai de Jesus e coautor da Doutrina Consoladora.

REFERÊNCIAS

1.    DOUGLAS, J. D. O novo dicionário da bíblia. 3. Ed. São Paulo: Vida Nova, 2006. p. 320.

2.    AEC, Antes da Era Comum, termo que tem sido usado pelos pesquisadores em substituição ao A.C., anno Domini, ou ano do Senhor.

3.    BÍBLIA. Português. Bíblia de Jerusalém. Nova edição rev. e ampl. São Paulo: Paulus, 2002. 3 a. Impressão: 2004. O Evangelho Segundo Lucas 1:26-7 p. 1787

4.    Ibidem. O Evangelho Segundo Lucas, 1:32. p. 1787.

5.    Ibidem. O Evangelho Segundo Lucas, 2:4. P. 1790.

6.    Ibidem. Apocalipse, 22: 16. p. 2167.

7.    Ibidem. Epístola aos Romanos, 1:1-3. P. 1965.

8.    Genética. In Britannica Escola Online. Enciclopédia Escolar Britannica, 2011. Web, 2011. Disponível em: http://escola.britannica.com.br/article-481354>. Acesso em: 26 de junho de 2011.

9.    KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Albertina Escudeiro Sêco. 1. Ed., Rio de Janeiro, CELD Ed: 2008. Parte Terceira, capítulo I, Q. 614-618, Caracteres da Lei Natural, p.213-214.

10.          Idem. A Gênese. Os Milagres e As Predições Segundo o Espiritismo. Tradução de Albertina Escudeiro Sêco. 2. Ed., Rio de Janeiro, CELD Ed: 2008. Cap. XV, item 2, p. 229.

11.          Idem. Ibdem. Cap. XV, item 65, p.257.

12.          DRANE, John. Enciclopédia da Bíblia. São Paulo, 2009: Edições Paulinas.p.175

13.          KARDEC, Allan. A Revista Espírita. Jornal de Estudos Psicológicos. Ano VII, Dezembro de 1864. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004. p.491.

14.          Idem. Ibidem. Ano VI, Dezembro de 1863. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 3. Ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. p. 489-490.